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Seabra da Silva?--D. João 4.º e as regateiras--Fielding--Mania e hypocondria--Aos diplomatas descontentes--Bibliographia--O ultimo carrasco, pelo exc.mo snr. visconde de Ouguella--O horror da demencia--Restauração de um documento historico valioso--A dança--Fim


O QUE ERAM FRADES

Houve-os de santa vida, que prégaram o evangelho dos bons exemplos, e deixaram na terra vestigios do martyrio--o grande martyrio do coração abafado e morto na estamenha do habito; e d'esses alguns deixaram livros divinos, desde o pensamento até á linguagem. Ganharam assim duas eternidades luzentissimas: a do seio de Deus, e a benção dos que, n'este mundo tão outro e tão estrondeado do caboucar do progresso, alta noite, os estudam á lampada solitaria do seu ermosinho, onde sorri a paz, porque a inveja lá não entra.

Houve-os, tambem, frades funestos que escavaram com pulso sacrilego a sepultura dos bons no atascadeiro da politica; e a politica, na hora em que póde arpoal-os, na torrente dos seus enxurros, atirou-os, bons e maus, ao monturo das instituições podres e pestilenciosas.

O descredito das ordens monasticas é quasi coevo da sua instituição. Os santos padres, os concilios, as communas, os poderes civis lavraram desde os primeiros seculos protestos formidaveis contra as religiões alheias do primitivo espirito do seu instituto. A volta do seculo XVII, os mosteiros em Portugal, desatados do vinculo da humildade, e cegos da sua opulencia e authoridade no animo dos principes, haviam tocado o cairel da voragem. E logo que, depois da perda de D. Sebastião, a guerra civil fermentou nos bandos faccionarios dos pretensores ao throno, e a corôa resvalou da fronte do cardeal-rei, a fradaria sahiu dos seus cenobios, e saltou para as praças e arraiaes arrancando a espada do talabarte que cingia o habito.

Reportand

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Noites de insomnia, offerecidas a quem não póde dormir. Nº 12, page 1
by Camilo Castelo Branco

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