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1871
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AO PUBLICO
Nasci n'um anno em que o sangue dos cidadãos de Lisboa allagou as praças e as ruas da capital.
Foi uma carnificina monstruosa, o 13 de março de 1838!
As guardas nacionaes, colhidas á traição, fôram covardemente espingardeadas á ordem dos falsos interpretes das instituições, que a guarda nacional era chamada a zellar e defender!
Ainda se não sabe ao certo o numero dos martyres d'aquella tremenda hecatombe!
Eram pela rua aos montões os cadaveres dos populares e dos soldados, povo tambem, sacrificados n'aquelle dia aos caprichos e veleídades do governo pessoal!
E esses homens do povo, e esses guardas nacionaes, todas essas victimas innocentes da maldade e da ambição, eram na sua maior parte os valerosos companheiros do duque de Bragança; os que tinham amassado com o seu sangue generoso os alicerces do throno constitucional; os que tinham, pela sua coragem, pela sua dedicação, pelo seu civismo, conquistado para a filha do imperador-rei o throno de Portugal, na longa epopea que começou na ilha Terceira e terminou em Evora Monte!
Eu não havia ainda nascido; mas creio que minha santa mãe me concebeu então. Vi a luz do mundo em nove de dezembro d'esse mesmo anno, quasi precisamente nove mezes depois de tão amplo addicionamento ao livro immenso do martyriologio da liberdade!
Bafejou-me ao nascer o ar das revoluções!
D'ahi talvez a origem das tendencias revolucionarias do meu espirito!
Quasi que o meu primeiro vagido se confundiu com os gritos de dôr das victimas da tyrannia!
Á hora do crime, page 1
by Francisco Luiz Coutinho de Miranda